Insetos e Artrópodes: Pequenos Seres, Grande Impacto

INSETOS. Essa palavra pode causar em si um arrepio involuntário, evocando imagens de aranhas peludas escondidas nos cantos da casa ou de mosquitos zumbindo junto aos seus ouvidos. Para muitos, esses pequenos seres são apenas criaturas desagradáveis que se esforçam por evitar. No entanto, será que essa visão faz justiça ao papel crucial que desempenham na natureza? Neste texto, procurarei ajudar a diminuir essa repulsa ou talvez ajudá-lo a ver os insetos e artrópodes sob uma nova e mais positiva perspetiva.

A Diferença entre Artrópodes e Insetos

Comecemos por fazer a distinção entre artrópodes e insetos: todos os insetos são artrópodes, mas nem todos os artrópodes são insetos. Os artrópodes constituem o maior e mais diversificado filo do reino animal, representando cerca de 80% de todas as espécies descritas no planeta. São invertebrados com um exoesqueleto quitinoso, corpo segmentado e apêndices articulados. Dentro deste vasto grupo encontramos os insetos, mas também os aracnídeos, como aranhas ou escorpiões, os crustáceos, como caranguejos, lagostas ou camarões e os miriápodes, como as centopeias.

Os insetos, por sua vez, pertencem à classe Insecta, sendo caracterizados por possuírem três pares de patas, corpo dividido em três partes (cabeça, tórax e abdómen) e, na maioria dos casos, asas. Representam a classe mais numerosa dentro dos artrópodes e desempenham papéis fundamentais nos ecossistemas. Apesar de muitas vezes serem vistos apenas como pragas, a verdade é que, sem eles, a vida na Terra seria drasticamente diferente.

O Papel dos Insetos no Meio Ambiente

  Polinização: Os Jardineiros do Mundo Natural

Uma das funções mais notáveis dos insetos na natureza é a polinização. As abelhas são os exemplos mais conhecidos, pois além de auxiliarem na reprodução das plantas, ainda produzem o mel que tanto apreciamos. No entanto, a importância da polinização vai muito além das abelhas. Saiba, por exemplo, que o cacau, matéria-prima do chocolate, é polinizado por pequenas moscas, logo sem essas diminutas criaturas, não haveria chocolate.

 Decomposição: A Reciclagem Natural

Os insetos também desempenham um papel crucial na decomposição da matéria orgânica. Besouros, formigas e moscas ajudam a decompor restos de animais e plantas, reciclando nutrientes para o solo. Esse processo é essencial para manter a fertilidade da terra, garantindo que os nutrientes sejam reaproveitados e possam sustentar novas formas de vida.

Um exemplo notável é o dos besouros rola-bostas, que enterram fezes de animais, promovendo a reciclagem de nutrientes e ajudando no controlo de parasitas. Sem esses pequenos trabalhadores, os campos estariam cobertos de matéria orgânica em decomposição, tornando o ambiente menos saudável.

  Base da Cadeia Alimentar: O Sustento de Muitos Animais

Outro papel fundamental dos insetos é servir como base da cadeia alimentar constituindo uma fonte de proteína altamente nutritiva para muitos animais. Algumas espécies de morcegos alimentam-se exclusivamente de insetos, consumindo milhares de mosquitos numa única noite. Os sapos, os lagartos e até alguns peixes também dependem dos insetos para a sua alimentação. Sem esses pequenos seres, muitos ecossistemas entrariam em colapso.

O Declínio dos Insetos pelo Impacto Humano

Apesar de todas as funções que realizam no ecossistema e da importância que têm no meio ambiente, os insetos são um dos grupos mais ameaçados pelas mudanças climáticas e pela poluição resultante da ação humana.

Já reparou como é raro ver borboletas dançando no ar ou abelhas voando entre campos de flores? A verdade é que esses campos já não existem, substituídos por parques de relva curta e sem grande diversidade de flora. Esses jardins bem cuidados, que aos nossos olhos parecem agradáveis e organizados, são para os insetos verdadeiras zonas desoladas onde não conseguem encontrar alimento ou abrigo.

O uso excessivo de pesticidas, a urbanização descontrolada e o desmatamento contribuem ainda mais para essa crise. A cada ano, a população de insetos polinizadores diminui drasticamente, o que coloca em risco não apenas a biodiversidade, mas também a segurança alimentar humana. Sem polinizadores, muitas culturas agrícolas enfrentariam dificuldades para se reproduzir, levando à escassez de alimentos e a impactos económicos severos.

Além da Repulsa: Uma Nova Perspetiva

É verdade que alguns insetos podem ser incómodos ou até perigosos, como mosquitos transmissores de doenças e pragas agrícolas. No entanto, a maioria não representa uma ameaça para os seres humanos e, na realidade, são aliados essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas.

Observar os insetos com uma nova perspetiva pode ser um exercício interessante e importante. Em vez de vê-los apenas como criaturas desagradáveis, tente entender a sua incrível diversidade e os serviços ecológicos que prestam. As cores vibrantes das borboletas, a impressionante organização das colmeias de abelhas e a engenhosidade das formigas na construção dos seus ninhos são exemplos de como esses pequenos seres são verdadeiras maravilhas da natureza.

Como Todos Podemos Ajudar?

  Podemos fazer a diferença ajudando a preservar os insetos e os seus habitats:

  • Plantar flores nativas que forneçam néctar e pólen para polinizadores.
  • Evitar o uso excessivo de pesticidas, que matam insetos indiscriminadamente.
  • Criar abrigos  para insetos, pequenas estruturas onde espécies como joaninhas e abelhas solitárias podem encontrar abrigo.
  • Deixar áreas do jardim mais naturais, permitindo que ervas e flores espontâneas cresçam.

Assim sendo, e de forma a combater a perda de biodiversidade nos insetos, a ADAL decidiu promover a construção de abrigos para insetos, isto é, estruturas próprias, adaptadas às necessidades dos diferentes grupos de insetos.

Participe também neste projeto e venha ajudar a dar uma nova casa a esses seres e, quem sabe, talvez eles parem de aparecer na sua.

João David Almeida, Biólogo

(Os artigos de Opinião aqui publicados  são da responsabilidade dos seus autores e podem não reflectir as posições da ADAL).

Acção & Eco-Alerta

No passado dia 21 a ADAL completou 17 anos enquanto associação formalmente constituída.

Queremos assinalar esta data abordando o conjunto de diligências que, embora de
forma pouco visível, vamos mantendo permanente e persistentemente, que correspondem à nossa missão, e que expressam uma constante atenção sobre o que vai acontecendo no território. Estas diligências obrigam a uma estreita comunicação com um conjunto diversificado de entidades, quer solicitando-lhes informações para um mais rigoroso conhecimento das situações, quer alertando-as para as que precisam ser fiscalizadas e corrigidas.

É assim que, com frequência, conseguimos que os problemas identificados acabem por merecer o devido tratamento. Realçamos, por exemplo, a existência de uma estrutura em ruína na Zona Especial de Protecção – ZEP dos Aquedutos de Santo Antão do Tojal, os quais integram o conjunto patrimonial (Palácio da Mitra, Igreja, Quinta, Chafariz monumental, Aqueduto e Chafariz) classificado como Monumento de Interesse Público, ou o problema da instalação e funcionamento de um parque de contentores em Bucelas, que, como se concluiu, estavam em situação ilegal – num caso confirmando-se interferência na ZEP, noutro ausência de licença para o efeito.

Mas há muitos outros temas em acompanhamento junto da Câmara Municipal de Loures, CCDR LVT, Património Cultural IP, Agência Portuguesa de Ambiente – APA, ou outras entidades, seja para o acesso a informação, seja para tomada de medidas concretas de correcção ou salvaguarda. Damos a conhecer alguns desses temas:

  • Convento Nossa Senhora dos Mártires e da Conceição dos Milagres
  • Projectos para a antiga Covina
  • Saída da A1 na Bobadela
  • Palácio barroco e Quinta do Alexandre (Sacavém)
  • Manutenção e gestão do Castelo de Pirescoxe
  • Mouchão da Póvoa
  • Fonte das Almoínhas
  • Aqueduto de Loures
  • Ocupações ilegais das margens do rio Trancão
  • Assoreamento do rio Trancão
  • Utilização de águas residuais tratadas nas ETAR
  • Instrumento de gestão para a globalidade da Frente Ribeirinha
  • Parque de contentores na Apelação

A participação de todos os associados, de todos os munícipes, neste esforço contínuo é essencial para que consigamos manter uma adequada vigilância sobre o território, pela salvaguarda do seus Recursos Naturais e Culturais, pelo Ambiente, pelo Património, por uma melhor qualidade de vida.

Convidamo-vos a entrar aqui https://old.adaloures.pt/breve-historia/ para uma viagem no ‘nosso’ tempo.

“Que futuro para Valflores?”

«Um Olhar Por Dentro…» da Quinta e Palácio de Valflores, foi a iniciativa sazonal deste Outono, realizada pela ADAL, que decorreu este sábado, dia 16 de Novembro, com o principal objectivo de dar a conhecer ao grupo de participantes o notável património edificado. Património classificado que torna mais rico o Concelho de Loures.

A iniciativa teve o apoio da Câmara Municipal de Loures, que consistiu na abertura da Quinta e na visita guiada pela arqueóloga Ana Raquel Silva, técnica da autarquia que nos conduziu num percurso pelos elementos patrimoniais do exterior (aqueduto, estruturas de condução de águas no passado) e na observação e descrição das obras que decorrem no interior do Palácio.

Sublinha-se que a ADAL é, desde 2016, parceira da Câmara de Loures no processo de salvaguarda, valorização e reabilitação da Quinta e Palácio, em desenvolvimento.

Recordamos também que a primeira fase do projecto foi crucial para a consolidação estrutural deste edifício setecentista, estando em andamento, pelo que nos foi dado a observar, a consolidação das componentes pétreas, decorativas e madeiras dos compartimentos.

As questões colocadas pelos participantes foram muito interessantes e assertivas, obtendo as respostas que, no essencial, corresponderam ao esperado. Uma das questões que nos pareceu pertinente foi “Que futuro para Valflores?”. As opiniões e possibilidades podem ser diversas, mas a ADAL não deixará de acompanhar a discussão sobre a futura utilização da Quinta e Palácio de Valflores. Porque esta é uma das suas Causas!

Fica o convite para que visitem https://old.adaloures.pt/causas/palacio-de-valflores/palacio-
valflores-causa-nossa/ e fiquem a saber um pouco mais do papel da ADAL nesta Causa.

Um Olhar por Dentro da Quinta de Valflores

No âmbito da rúbrica outonal “Um Olhar por Dentro”, a ADAL convida a revisitar a Quinta de Valflores, em Santa Iria de Azóia.

A ADAL é, desde 2016, parceira da Câmara Municipal de Loures no processo de salvaguarda, valorização e reabilitação da Quinta e Palácio de Valflores, no âmbito da candidatura ao POR Lisboa. A primeira fase do projecto de intervenção permitiu a consolidação estrutural do edifício do século XVI, enquanto a segunda e terceira fases da obra dedicaram-se ao restauro e protecção dos elementos arquitectónicos. 

Oportunidade para olhar e descobrir Valflores, observando também o desenvolvimento dos trabalhos, nesta visita guiada, realizada pela equipa técnica museológica da Câmara Municipal de Loures, no dia 16 de Novembro, às 10 horas.

Aguardamos inscrições até dia 14/11 para: adaloures@gmail.com.

Palácio Valflores, ca(u)sa nossa!