A ADAL, reunida em Assembleia Geral no dia 14 de Março de 2023, apreciou as propostas apresentadas ao longo de 2022 para o Positivo e Negativo do ano, nos domínios do Ambiente e do Património do Concelho de Loures, e elegeu os seguintes:
2022
POSITIVO
NEGATIVO
AMBIENTE
Projecto Rios com Vida 360°, que recebeu um prémio Cidades Educadoras, atribuído pela Associação Internacional das Cidades Educadoras e de Cidades e Governos Locais Unidos (CM Loures)
Assoreamento da cala Norte do Rio Tejo (junto ao Mouchão da Póvoa), o que condiciona o bom funcionamento do sistema de arrefecimento das caleiras da Valorsul, além de aumentar o risco de cheias (Ministério do Ambiente e da Transição Energética)
2022
POSITIVO
NEGATIVO
PATRIMÓNIO
Obras de conservação no Sifão de Sacavém (EPAL)
Ausência de medidas de manutenção e valorização dos Aquedutos e da Rua dos Arcos de Santo Antão do Tojal (Ministério da Cultura – DGPC)
Ao longo de 2022 registaram-se propostas para seis aspectos Positivos (dois no domínio do Ambiente e quatro no do Património) e oito Negativos (cinco no Ambiente e três no Património). A escolha dos aspectos Positivo e Negativo no domínio do Ambiente foi consensual; já quanto aos aspectos Positivo e Negativo no Património, foi por maioria.
Como habitualmente, a ADAL fará chegar os Certificados às entidades responsáveis em Junho, assinalando o Dia Mundial do Ambiente.
Apresentamos o inventário das práticas nomeadas para o Positivo & Negativo do Ano 2022.
Recordamos que o Positivo & Negativo do Ano procura impulsionar as melhores práticas e censurar aquelas que se apresentem em contradição com o interesse e bem-estar coletivos nas áreas do Ambiente e do Património.
Estamos na reta final mas ainda é possível inscrever mais contributos. Aguardamos sugestões!
A escolha do Positivo & Negativo 2022 é deliberada na Assembleia-Geral, que se realiza no dia 14 de Março. Se é nosso associado, apareça e participe na escolha final dos mais significativos para o quotidiano do Concelho.
A ADAL assinala o Dia Mundial do Ambiente procedendo ao envio dos Certificados Positivo e Negativo do Ano 2021 às entidades que os mereceram.
Os aspectos Positivo e Negativo de 2021 foram eleitos na Assembleia Geral de 29 de Março deste ano (consulte aqui a Informação Pública), mas o registo das sugestões ocorreu durante todo o ano de 2021 e contou com a participação não só de associados, mas também de outros cidadãos, que assim se juntaram a nós neste projecto anual que visa destacar os factos mais relevantes que marcam, em cada ano, o melhor e o pior nos domínios do Ambiente e do Património, no município de Loures.
Com o Positivo e Negativo do Ano, instituído em 2005, esperamos apoiar e estimular as melhores práticas e condenar aquelas que se apresentem em contradição com o interesse e bem-estar colectivos.
Para participar, basta enviar para adaloures@gmail.com uma mensagem com os aspectos positivos ou negativos nos domínios do Ambiente e do Património. Já decorre o registo dos aspectos do ano de 2022, que serão colocadas à votação na Assembleia Geral do primeiro Trimestre do próximo ano.
Por um bom Ambiente e pela salvaguarda e valorização do nosso Património!
No dia 28 de Maio de 2022, a ADAL realizou mais um percurso pedonal entre Unhos e Apelação, no quadro do seu programa «Pelos Trilhos do Património e da Natureza».
Os nossos sócios aceitaram o convite da ADAL e por isso tiveram oportunidade de, durante a manhã deste dia ensolarado, conhecer um outro ‘pedaço’ do território do nosso Concelho. Das excelentes vistas sobre a várzea de Loures, do imenso Mar da Palha e também a oportunidade de acrescentar conhecimento histórico e etnográfico.
O primeiro momento do percurso consistiu numa visita orientada à Igreja de São Silvestre, em Unhos, conduzida com grande competência pelo Dr. Jorge Aniceto, técnico da Câmara Municipal de Loures.
Ficámos a saber que a matriz de Unhos é uma igreja seiscentista, mas com a sua fundação em data muito anterior.
«Interiormente, a nave, ampla e de grande altura, é coberta por abóbada de berço [que] conserva o seu carácter de templo do século XVII. A Capela-mor possui um bom retábulo de talha dourada dessa época, cujos arcos, tais como os de Camarate, são formados por colunas torsas. Muito belos os dois anjos que, ao alto, seguram a custódia. À entrada da igreja, bonita pedra sepulcral armoriada e algumas outras inscrições tumulares do século XVII.» [AZEVEDO, Carlos de; FERRÃO, Julieta; GUSMÃO, Adriano de; Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III – Mafra, Loures, Vila Franca de Xira, Lisboa, Junta Distrital de Lisboa, 1963, p.75]
Imediatamente a seguir, o nosso guia apresentou-nos o pintor Diogo de Contreiras (c.1500-1565) autor do programa decorativo – pinturas e tábuas – da Igreja de São Silvestre.
«Contreiras começou o seu ciclo de produção ainda no reinado de D. Manuel, em 1521, como figura secundária de uma das oficinas de Lisboa, executando decorações efémeras, entre as quais a que serviu de receção ao monarca quando do seu terceiro casamento. (…) A sua obra não é extensa, e conhece-se um núcleo em Unhos, outro em Almoster, outro ainda em Ourém. (…) Mas a qualidade manifestada, pese embora alguns desacertos de forma e de anatomia, pode ser atribuída a uma «licença» criativa que, mantendo a gravura como inspiração iconográfica direta, ganhava em autonomia, acentuando os jogos cromáticos e lumínicos e em dramatismo nos fundos e nos esfumados, que até então eram pouco ou nada praticados entre nós.» [PEREIRA, Paulo; Arte Portuguesa – história essencial; Lisboa, Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2014, p.516/517]
A subida à torre sineira permitiu-nos observar um horizonte deslumbrante: a várzea de Loures, o percurso do rio Trancão, a encosta da serra de Santa Iria…e a vila de Unhos a fazer-nos esquecer a proximidade da grande cidade!
Seguiu-se a ‘caminhada’ até à segunda etapa da manhã: o moinho de vento da Apelação.
Foi um percurso íngreme, mas tranquilo, que nos propiciou a observação de uma paisagem mais urbana, polvilhada aqui e ali por alguma ‘ruralidade’.
No moinho o moleiro Francisco Jacinto fez-nos uma visita muito completa e muito competente a este ancestral ‘equipamento industrial’ recuperado em 1994 pelo Município de Loures (a par do Moinho das Covas, na freguesia da Ramada, então geograficamente no Concelho de Loures.)
Tal como a maioria dos moinhos da região da Estremadura, terá sido edificado no segundo quartel do século XVIII, pois as primeiras referências escritas surgem no ano de 1762. É um moinho característico do Sul do nosso país e insere-se na tipologia dos moinhos fixos de torre cilíndrica em alvenaria, com 3 pisos e dois casais de mós (para a moagem de milho e trigo). O capelo é móvel por meio de sarilho interior. Arma-se em 4 velas triangulares, presas às varas que irradiam do mastro. A rotação do mastro é feita através da entrosga (roda dentada) que transmite o movimento ao veio através de um carreto situado no centro do moinho.
Nesta visita ficámos a conhecer as funções de várias componentes do moinho e, talvez a grande curiosidade tenha sido a função dos búzios que estão colocados no cordame das varas. No interior foi-nos explicado todo o funcionamento do moinho na produção da farinha.
Concluída a visita, o grupo trouxe consigo duas “coisas” fundamentais: a importância da história antiga e a importância da etnografia viva. No primeiro caso, certamente estamos perante um “alimento espiritual” bastante rico. No segundo caso, estamos diante de um equipamento fundamental no passado, com um papel de relevância no presente e que não deixará de nos ser muito útil no futuro.